Fórum das idéias e textos que surgem na minha cabeça em momentos variados. Textos de todos os tipos que traduzem a minha natureza de escritor à linguagem visual.


























 
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EU SOU
idéias em construção
pensamentos fugidios
curiosidade encarnada
vontade delirante
devoção convicta
ironia escancarada
extravagância desmedida
loucura contida
felicidade maravilhada
sensibilidade voraz
comunicador por excelência





























meus olhos têm telescópios que enxergam mil metros longe de mim
 
sábado, abril 19, 2003  
Delírio do cavaleiro lunar

É como se houvesse agora um hiato, uma ruptura entre as grandes idéias de então e minhas idéias enroladas de agora. Dão tantas voltas como os caracóis dos meus cabelos, dos quais aprendi a gostar. E então passei a escrever sobre o ato de escrever, não pela falta do que dizer mas para cuidar que minhas idéias possam ser ditas inteiras, e não aos sussurros afoitos de uma noite escura.

Resgato a estética das estrelas e me perco em admiração doida e desorientada. Faz parte de um retorno à arte pela arte, que às vezes permeia minha escrita e só traz consigo a beleza. E é agradável e doce essa beleza. E nesse doce como chocolate é bom ficar. É bom sentir o gosto do chocolate, viver o rosa da arte e perder-se no carvão inquestionável das palavras.

Há que se perdoar o marasmo dessa discussão, mas é impossível enterrar a reflexão sobre a natureza vápida das palavras. E mesmo que sejam vazias e insignificantes, eu não vivo sem elas. E elas, sem quem as ponha numa ordem, também não têm razão de existir. Elas existem para que sejam usadas, mas, em seu uso, constróem o que não deveriam, tomam o poder do falante e saem por aí a circunscrever tudo e a beleza e a arte. Então nos escravizam, e a carta de alforria só vem por meio de mais palavras ainda mais cruéis. E não há como fugir. Então escrever é encerrar mundos, é evitar a chuva, escurecer a luz na tentativa de ser iluminado.

Troco o dia pela noite para ficar sozinho. E a solidão me torna mais vulnerável. As palavras atacam com mais força, sufocam a mente, fazem da língua refém. Cada músculo se contrai numa sílaba, e cada acento é um reflexo pontuado pela dor da impossibilidade de correção. E então caio na rede da língua, e nada me resgata senão o silêncio que tarda a chegar e vem corroído pela fome de expressão. Volto incompleto cada vez que caio de soslaio, de torpor nas teias dessa língua. Fica sempre um pedaço de pensamento ali perto da lua, e ele é tragado pelas aranhas do céu e desaparece nas constelações.

Quero encontrar o brilhante do silêncio. Talvez esteja na água da chuva, no vento, no mar, na lua, no céu sem estrelas. Esse brilhante é um cavaleiro fugaz, vem cavalgando velozmente para dizer tudo sem nenhuma palavra e impressionar pela impecabilidade de sua vestimenta. A lança do cavaleiro fala por golpes certeiros de silêncio e rechaça os pecados das palavras. E a lua pode sorrir no céu com a morte das alvíssimas aranhas. Sem palavras, as teias se desfazem.

"The sky was kissed by the sea and mist breathlessly." - J. Lawrence

Continuo a fitar a lua através das paredes vítreas de meu quarto azul. A chuva cai pesada e constante, sem muito brilho mas sonora. E a vista se perde no frio do céu de outono com gosto cálido de maçãs e canela. A beleza do momento é constante como a chuva e como a transparência dos vidros, que são receptáculos de estrelas e orvalho.

03:39

quarta-feira, abril 16, 2003  
Escapismo jazzístico

Quiero siempre escribir sobre hojas rosadas. El color de las rosas despierta en mí sentimientos y deseos olvidados ya hace mucho. Y cuando veo miradas de color rosado, me siento más feliz y menos preocupado. El rosado sirve para romper con los momentos grises que se amontonan en la vida.

Tengo que vivir a través de hojas rosadas para que todo no vuelva gris y oscuro de repente, para que no se me olvide la razón de escribir sobre las cosas que son bellas y que por eso valen la pena.

Y he decidido que quiero siempre vivir entre el rosado de un alivio y el azul de la felicidad que me cubre en el mar y me encanta en el cielo. Y he decidido que voy a pintar todas partes de mi vida de azul y voy a escribir sobre hojas rosadas que me despiertan los sueños.

E o jazz envolve tudo numa máscara de realismo fantástico e contornos prateados deslumbrantes. No toque da percussão, os sopros ofegantes, o desalento das cordas desse ritmo alucinante vive a força dessa música. Mora nos deslizes da voz esse delírio melódico que só quer embalar em perfeição aquele mar de imperfeições improvisadas e destoantes. E é belo como manto de uma realidade incrível, de vontades e paixões nas selvas de pedra e metal.

Quero viver em Chet Baker, morar em Billie Holiday e sonhar Ella Fitzgerald nesse mundo infinitamente mais feliz de Count Basie, Duke Ellington e Cole Porter. É algo acima do normal, difícil de entender.

Por uns momentos parei de acompanhar as notícias em função de viver um pouco. Agora a guerra acabou, jornalistas foram assassinados e um país começa a ser reerguido por outro país estranho alheio à história que ali transcorreu por milênios.

Não vi a queda da estátua do ditador nem os civis massacrados porque estava em meu quarto azul ouvindo jazz, bebendo chá e escrevendo sobre a guerra que se desenrola dentro de mim mesmo. Agora capto um resumo do que se passou através de fragmentos noticiosos que um dia hei de escrever também.

Não sei se foi por aversão à política ou decepção com o jornalismo que me desliguei um pouco do mundo. Mas essa fuga momentânea proporcionou-me tanto prazer que não me sinto culpado. Volto a me informar com a ilogicidade das informações não confirmadas e relatos incertos de último minuto. Volto de meu escapismo, de maneira um pouco relutante, à minha condição de jornalista, que parece estar no sangue. Apenas fiz uma cobertura de assuntos de maior proximidade, mais relativos ao cerne de quem sou, que andou um pouco balançado.

Reconhecendo minha dualidade, ou talvez pluralidade, intrínseca, volto ao que pode-se chamar de normal. Estive a ler os jornais novamente, a filtrar os telejornais.

Com esse retorno, tornam-se mais raras minhas madrugadas de chá, jazz e folhas rosadas. Tornam-se raras, porém não inexistentes. Por trás do jornalista engajado há de existir alguma paixão orientadora, que sempre retoma um pouco a imprecisão do jazz.

15:31

segunda-feira, abril 14, 2003  
Así como Frida

Quiero refugiarme en una alcoba azul como Frida. Necesito aislarme de todo para ver si puedo reorganizarme. Busco un lugar en que pueda vivir con mis propios fragmentos y recoger todos los pedazos de mis pensamientos, mi alma, mis palabras y mi cuerpo que empieza a deshacerse poco a poco en preocupación y tormenta.

Frida vivía con la desintegración de su mente, espíritu y cuerpo, mientras luchaba contra un amor que la volvía esclava. También siento que soy una víctima de mis propias pasiones sin límites que vuelan solas hacia destinos desconocidos. Siento que mis ideas y pensamientos han considerado huirse para lejos de mí, con odio de la tormenta de fragmentos que ha fraccionado todo el significado por detrás de quien soy.

Busco evitar la soledad, la muerte precoz de mis sentimientos y la locura absoluta que sería la pérdida de mi vivir.

Y como Frida, soy una víctima que escapa del rechazo, del olvido y de la locura a través de una pasión que me conmueve y me lleva hacia una organización mayor de sueños y deseos. Frida pintó su vida. Yo escribo la mía en medio todo que me pasa. Trato de tragar todo aquello que oscurece las luces y los colores brillantes que quiero que sean mi representación más absoluta.

Y rehuso a dejar que mi mundo se deshaga. Lucho para mantener cada pieza en su lugar, aunque me deshaga yo mismo para lograrlo. Hay que romper con los caprichos del corazón.

Y me encanta la guitarra veloz de los colores de Frida Kahlo, así como los besos que dio en vida y la voluntad de ser artista hasta el último momento.

"Yo soy la desintegración." - Frida Kahlo

03:11

domingo, abril 13, 2003  
Impulse

I want something to drive me away from this madness. I want something to take me out of my despair. I want to stop feeling like I´m screaming in a vacuum. That feeling pursues me indefinitely, it´s clung to me like a second skin of an emotional nature. And I can´t escape my skin, I can´t tear it to shreds like my shredded self. I seek reconstruction of the destroyed bits and pieces that made up the fragments of my old self, the old self of inherent integrity under misleading layers of happiness on display and façades of distant coolness. The reconstruction of that old self feels so necessary right now because I´m making attempts to secure a happier tomorrow. I need happier tomorrows because I´ve fallen into the habit of extinguishing the joys of my todays. I need a safety net before plunging into this abyss of uncertainty. I fear the past, the present and the future because I´ve lost myself somewhere and I´m being driven by someone I don´t know, someone reckless with words, devoid of the ability to ponder. I need someone or something to rescue me because I´m distraught, because I´m caving into my own illusions and all I see is shapeless forms, faded colors and well trodden paths to past mistakes. I would like to know what happened to that harmony I´d established between my ideas and my words. Why have I suddenly been thrown back into the lair of uncertainty? Why must I be haunted by my own wicked self? What happens to joy in days of gloom? What is it I lack to make myself clear? What is the language of clarity, honesty and certainty? Why am I left without answers? How long have unfulfilled desires ruled over me and how long will that reign of terror last? When will I find peace of mind? How much more madness will I have to endure? Who can answer my questions and settle my doubts?

I´ve learned I can´t trust myself because I´m a traitor to myself. I commit acts of betrayal against myself and can´t rectify the situation because I can´t erase myself from this world without taking with me the self that I love. I´m at odds with my impulsive nature that ruins everything. And I despise ostentation. I can´t stand to watch all the happiness unfold around me when I´ve deliberately thrown myself out of touch with it. I need to let a part of myself die in order to regain my balance. I have to make the pendulum of who I am swing back before it´s too late. And the clock is ticking and I´m failing as I feel the roar of a pain eat me from inside and corrode my senses.

"I´m tired of whys choking on whys, just need a little because because." - Fiona Apple

00:27

 
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