Fórum das idéias e textos que surgem na minha cabeça em momentos variados. Textos de todos os tipos que traduzem a minha natureza de escritor à linguagem visual.


























 
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EU SOU
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comunicador por excelência





























meus olhos têm telescópios que enxergam mil metros longe de mim
 
sexta-feira, setembro 12, 2003  
Saudade

Nos últimos dias andei precisando de uma única coisa: um abraço.

10:57

domingo, setembro 07, 2003  
A arma da discrição

A discrição é uma arma que desarma toda malícia. O ideal é estar sempre envolto por camadas múltiplas de penumbra a evitar a obscenidade dos clarões inoportunos. Quero ser o sujeito mais discreto, embora isso continue no desejo. Os elegantes são apedrejados com olhares que interpretam como sopros angelicais, permanecendo inabalados. E vai além da elegância. Aqueles que operam em perfeita sintonia com seu meio social são vistos enquanto permanecem não vistos, lançam suas mais discretas nuanças como flechas certeiras a alvos definidos, estabelecendo contatos perfeitos.

E esse grau de discrição, o mais almejado, é difícil de atingir. O charme está na sutileza de um brilho ofuscado, uma excelência de grito sufocado, olhar desviado, voz arquejante. A beleza do sujeito sutil está no ser visto e notado pela qualidade de desprezar e odiar a visibilidade e a notoriedade. A beleza está no sujeito comum que direciona seus momentos de beleza sutil a um público seleto.

A discrição e a sutileza ganham um verniz brilhante quando ocultam por completo uma qualidade antes exposta pela vaidade. No caso da arte, o brilho vem do não-dito foucaultiano, vem da ocultação completa do ausente sugerido, um des-dizer do não-dito. O gênio de Michael Craig-Martin na Tate Modern é jurar que um copo d´água é um carvalho, pois ressuscita a crença no ausente, a devoção mais devota a um não-elemento que constitui a arte da obra de arte.

Todo o gênio da discrição se traduz pela apreciação às cegas do valor estético de uma obra de arte. Craig-Martin é um extremo com seu copo d´água-carvalho, porém se desdobra a beleza da sutileza em outras correntes e matizes. Está na prosa econômica de Machado de Assis e suas insinuações da traição de Capitu, de seu sucessor literário Graciliano Ramos e os desníveis de Angústia. Multiplica-se nas páginas ásperas de Hemingway, Simenon, Poe, Wilde e Rubem Fonseca. Brilha nas telas de não-dito de Magritte.

A obsessão pela visibilidade e notoriedade, que vitima todos nós, leva a um obscuro destino. Vive-se num estupro da penumbra pelo clarão, num porão vazio de esquecimento e luminosidade senil. Ralph Waldo Ellison já destinara este fim a seu mais célebre nameless character em Invisible Man. Na estória de um negro tentando driblar os obstáculos de uma Nova York racista da década de 50, o autor narra o ocaso de uma figura que tentou brilhar mas queimou-se num fulgor efêmero, desapareceu tão rápido como apareceu, condenado a viver num porão iluminado por centenas de milhares de lâmpadas de milhares de watts, alimentadas com a corrente usurpada da brancura de uma companhia elétrica. O personagem sem nome roubara o clarão que lhe ocultava ainda mais em seu buraco jazzístico.

Assim viveram seus dias finais tanto o Holden de um Salinger consciente quanto o filho falso de Sidney Poitier nos Six Degrees of Separation de John Guare. Ignorar a discrição é fechar-se calado e sem nome num túmulo de luz eterna a trucidar tudo que há de penumbra reconfortante.

02:57

 
Constatação

Para que alguma coisa surja é preciso que alguma coisa desapareça. A primeira configuração da esperança é o medo. A primeira manifestação do novo é o horror. - Heine Müller, dramaturgo alemão

01:49

 
Como deveria ser a cidade do futuro?
É impossível saber, mas, como exercício, eu diria que o parâmetro seria a tranqüilidade das pessoas. A aflição liquida com a liberdade e a capacidade criativa do homem. Por que se põe a população pobre na periferia? Para que ela não tenha tempo para nada. O tempo livre ela gasta em transporte, no cuidado com a saúde dos filhos, etc. A cidade feliz apaziguaria esses problemas, que são frutos de uma mecânica. O transporte público, por exemplo, é fundamental. O automóvel teria de ser abolido como transporte principal. Você pode imaginar um pronto-socorro sobre rodas, mas não o transporte de cada um. Ele é uma estupidez. E o homem que assiste à própria estupidez é um homem que tende rapidamente à degenerescência. O transporte público será um prazer para o homem, que poderá ler o seu jornal, que poderá até perder o próximo trem, porque haverá vários em intervalos pequenos. Poderá tomar uma cerveja com um amigo. Isso faz um novo cidadão. Um homem senhor de seus tempos de vida, de seus minutos. Não será mais questão de perguntar "o que você fez nos últimos dez anos", e sim "o que você fez nos últimos dez minutos". - trecho de entrevista do arquiteto Paulo Mendes da Rocha à revista Bravo!

Escrevo após sofrer dois assaltos nos últimos dois dias na metrópole que eu odeio amar. O medo vem fulminante, mas desaparece na velocidade de um raio de luz até a próxima ameaça.

01:48

 
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